O DRAMA
DE CONSCIÊNCIA DA ESQUERDA NO BRASIL
Ontem o Ministro da
Educação se viu obrigado a prestar declaração com relação a gravação revelada
pela revista Veja, mostrando mais do que habitual a necessidade piscar quando
interpelado.
Em verdade, se for
traçado o paralelo de postulados psicológicos arquetipados e disponíveis em mídia
social por séries americanas do tipo “house” e “lie to me” entre outras, que ao
par dos exageros literários, tem sim postulados da psicologia e psiquiatria que
explicam o comportamento do Ministro em seu momento de embate com a
consciência.
A consciência sempre
severa, em algum momento da vida começa a atormentar todas as pessoas sem
distinção, seja de esquerda ou de direita. Confesso que também já fui bem de
esquerda, participei como Delegado do Curso de Engenharia Elétrica do Congresso
da UNE, lá antevendo como grupos sempre lideram outros dominando o ambiente,
contaminando a causa que todos acreditavam das liberdades ameaçadas e retiradas
pelo regime de exceção de então.
Causas justas,
bandeiras e ideias novas igualmente justas, por vezes sufocadas pelas
lideranças, porque não estavam em alinho com ditames marxistas, os quais li mas
confesso acabo por perceber que marx escrevendo “O Capital” em Londres, acabou
por perder a necessidade de dar uma nova configuração de poder muito mais
duradoura do que tem sido a esquerda contemporânea; isto porque a desenhou, a
concebeu, no papel, perdendo de vista que o papel no seu mister social iguala a
todos, antes não previstas.
Daí que não foram raros
os socialistas e comunistas que, apesar de sua formação socializante e
contrária ao capital, acabaram por se curvar às necessidades de conviver com os
ideais capitalistas, deles absorvendo além do necessário e traindo a causa da
igualdade de oportunidades, direitos e obrigações.
Igualdade de
oportunidades, direito e obrigações, não é em si uma causa injusta, muito pelo
contrário, o capital, precisa ter freios de estado, de modo que garante estas
garantias a todos indistintamente, e, como hoje está legislado e admitido o
sistema, além de não dar oportunidade, acaba por retirar sonhos e ideais de
vida, e, roubando-os, acaba por solenemente demonstrar-se incapaz de responder
aos anseios sociais gerais e individuais.
Em verdade, em outra
partida, os regimes socialistas não dão conta das necessidades individuais de
investimento e crescimento, de modo que sendo o estado o dono, desvirtua
interesses que a partir da pessoa unitária, primeiro interesse a ser tutelado
por qualquer estado, deia de garantir oportunidades de crescimento coletivo.
O interesse de desenvolvimento
conjunto é ficção criada pelo homem, decorrente da soma dos interesses
individuais de crescimento, sendo que estes é que devem ser incentivados,
motivados, porém controlados, para que os interesses de qualquer não afetem ou
destruam os interesses dos outros.
Penso, particularmente,
que o Estado contemporâneo seja de esquerda ou direita, não preenche os interesses
de qualquer vivente em ponto nenhum do globo, em verdade, os mais avançados,
com maior controle e rigor de fiscalização popular sobre a coisa pública, e,
respeito pela coisa pública pelos administradores, ainda assim, não preenchem
completamente a cabal necessidade dos seres humanos, sob sua respectiva
jurisdição.
Esquerda e direita
portanto, são modelos ultrapassados, porém necessários para o momento da
história em que foram concebidos, o capital sozinho é besta incontida, e, o
social sozinho é anulação das iniciativas individuais, estando, portanto ser
necessário conceber no papel novo modelo, com novo corolário legislativo, de
simples alcance e transparência, se transformando o Estado na ficção humana que todos precisam,
da eficiência, com respeito aos interesses individuais e coletivos, respeitando
e cobrando uns dos outros, de modo que todos possam ter oportunidades, e, ao
mesmo tempo, ante a necessidade de controle do Estado, a oportunidade possa ser
ou estar contida nos interesses comuns do restante da sociedade.
Não estou falando aqui
nenhuma novidade, o que estou dizendo é o Ministro da Educação, pego pela
gravação, estava atordoado por ter sido um formador de opinião de esquerda, e,
no curso da administração do governo, acabou por se desvirtuar das regras
iniciais que lutava, e, em algum momento, como o de ontem, a consciência o
traiu, não pelo que declarou, mas pelo que deixou muito claro por seus
movimentos ao declarar, ou seja, disse uma coisa e queria dizer outra.
Concluindo, o que se
espera de um regime com drama de consciência ante o discurso de carteira de
estudante e que na prática nem se lembra ou oculta o que lá acabou dizendo, é
que perceba o que sua consciência está ditando, porque ela é malvada, e, da
alguma maneira, não se sabe como, graças e Deus, a todos atinge.
Brasil, 16 de março de
2016
HÉLIO BARRETO DOS
SANTOS FILHO
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