quarta-feira, 16 de março de 2016

O DRAMA DE CONSCIÊNCIA DA ESQUERDA NO BRASIL


O DRAMA DE CONSCIÊNCIA DA ESQUERDA NO BRASIL



Ontem o Ministro da Educação se viu obrigado a prestar declaração com relação a gravação revelada pela revista Veja, mostrando mais do que habitual a necessidade piscar quando interpelado.

Em verdade, se for traçado o paralelo de postulados psicológicos arquetipados e disponíveis em mídia social por séries americanas do tipo “house” e “lie to me” entre outras, que ao par dos exageros literários, tem sim postulados da psicologia e psiquiatria que explicam o comportamento do Ministro em seu momento de embate com a consciência.

A consciência sempre severa, em algum momento da vida começa a atormentar todas as pessoas sem distinção, seja de esquerda ou de direita. Confesso que também já fui bem de esquerda, participei como Delegado do Curso de Engenharia Elétrica do Congresso da UNE, lá antevendo como grupos sempre lideram outros dominando o ambiente, contaminando a causa que todos acreditavam das liberdades ameaçadas e retiradas pelo regime de exceção de então.

Causas justas, bandeiras e ideias novas igualmente justas, por vezes sufocadas pelas lideranças, porque não estavam em alinho com ditames marxistas, os quais li mas confesso acabo por perceber que marx escrevendo “O Capital” em Londres, acabou por perder a necessidade de dar uma nova configuração de poder muito mais duradoura do que tem sido a esquerda contemporânea; isto porque a desenhou, a concebeu, no papel, perdendo de vista que o papel no seu mister social iguala a todos,  antes não previstas.

Daí que não foram raros os socialistas e comunistas que, apesar de sua formação socializante e contrária ao capital, acabaram por se curvar às necessidades de conviver com os ideais capitalistas, deles absorvendo além do necessário e traindo a causa da igualdade de oportunidades, direitos e obrigações.

Igualdade de oportunidades, direito e obrigações, não é em si uma causa injusta, muito pelo contrário, o capital, precisa ter freios de estado, de modo que garante estas garantias a todos indistintamente, e, como hoje está legislado e admitido o sistema, além de não dar oportunidade, acaba por retirar sonhos e ideais de vida, e, roubando-os, acaba por solenemente demonstrar-se incapaz de responder aos anseios sociais gerais e individuais.

Em verdade, em outra partida, os regimes socialistas não dão conta das necessidades individuais de investimento e crescimento, de modo que sendo o estado o dono, desvirtua interesses que a partir da pessoa unitária, primeiro interesse a ser tutelado por qualquer estado, deia de garantir oportunidades de crescimento coletivo.

O interesse de desenvolvimento conjunto é ficção criada pelo homem, decorrente da soma dos interesses individuais de crescimento, sendo que estes é que devem ser incentivados, motivados, porém controlados, para que os interesses de qualquer não afetem ou destruam os interesses dos outros.

Penso, particularmente, que o Estado contemporâneo seja de esquerda ou direita, não preenche os interesses de qualquer vivente em ponto nenhum do globo, em verdade, os mais avançados, com maior controle e rigor de fiscalização popular sobre a coisa pública, e, respeito pela coisa pública pelos administradores, ainda assim, não preenchem completamente a cabal necessidade dos seres humanos, sob sua respectiva jurisdição.

Esquerda e direita portanto, são modelos ultrapassados, porém necessários para o momento da história em que foram concebidos, o capital sozinho é besta incontida, e, o social sozinho é anulação das iniciativas individuais, estando, portanto ser necessário conceber no papel novo modelo, com novo corolário legislativo, de simples alcance e transparência, se transformando  o Estado na ficção humana que todos precisam, da eficiência, com respeito aos interesses individuais e coletivos, respeitando e cobrando uns dos outros, de modo que todos possam ter oportunidades, e, ao mesmo tempo, ante a necessidade de controle do Estado, a oportunidade possa ser ou estar contida nos interesses comuns do restante da sociedade.

Não estou falando aqui nenhuma novidade, o que estou dizendo é o Ministro da Educação, pego pela gravação, estava atordoado por ter sido um formador de opinião de esquerda, e, no curso da administração do governo, acabou por se desvirtuar das regras iniciais que lutava, e, em algum momento, como o de ontem, a consciência o traiu, não pelo que declarou, mas pelo que deixou muito claro por seus movimentos ao declarar, ou seja, disse uma coisa e queria dizer outra.

Concluindo, o que se espera de um regime com drama de consciência ante o discurso de carteira de estudante e que na prática nem se lembra ou oculta o que lá acabou dizendo, é que perceba o que sua consciência está ditando, porque ela é malvada, e, da alguma maneira, não se sabe como, graças e Deus, a todos atinge.



Brasil, 16 de março de 2016





HÉLIO BARRETO DOS SANTOS FILHO

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